Há uma modalidade que muitas alegrias tem dado ao Oriental ao longo dos últimos 25 anos. Campeões nacionais e mundiais honram o nosso emblema com títulos conquistados pelo trabalho desenvolvido na Sede do Clube, sempre sob a orientação de alguém que por paixão nunca deixa de lutar. Estivemos à conversa com o Mestre Julião Santos, eterno homem forte da Secção de Desportos de Combate do Oriental.

Julião Santos estreou-se nas artes marciais com 17 anos de idade e não mais largou a modalidade. Em 1990 foi o obreiro da abertura do então designado Full-Contact no Oriental e construiu “uma equipa de grandes atletas” que brilharam ao mais alto nível em Portugal e no estrangeiro. Fala dessa época com a saudade de quem poderia ter edificado uma das “maiores potências desportivas a nível nacional no campo das artes marciais” em pleno Largo do Poço do Bispo, não fosse o inevitável interregno em 1999 devido às obras realizadas nas instalações do Clube. 

 
Mestre Julião Santos durante o treino
 
 

Após um doloroso período de ausência, os Desportos de Combate do Oriental regressaram em 2008 mas a pujança de outros tempos já não foi alcançada. A implementação e crescimento da modalidade atualmente “não é tão fácil pela concorrência existente nesta área geográfica”, explica o Mestre, mas ao nível competitivo os resultados “têm sido muito positivos a nível regional, nacional e até internacional com os Campeonatos do Mundo conquistados pelo Rudi Mendes”.

Títulos que atribuem prestígio ao Oriental e que, nas palavras do responsável técnico da Secção de Desportos de Combate, têm sido conquistados graças à atitude de todos os atletas que competem com o propósito supremo de “dignificar ao máximo a História do Clube com a vontade de enaltecer cada vez mais o Oriental a nível desportivo”. 

 
 

Esclarecendo que a “disciplina, o empenho, a dedicação e a força de vontade” são os grandes pilares dos treinos que decorrem de segunda a sexta a partir das 20h15 na Sede do Oriental, o Mestre Julião Santos contraria o preconceito global e garante que as artes marciais podem também ser praticadas exclusivamente em regime de formação sem qualquer perigo físico para os atletas.

“Há de facto a ideia generalizada de que é um desporto violento porque as pessoas conhecem a modalidade exclusivamente no seu formato competitivo, mas aqui a formação é dada com toda a atenção de forma a salvaguardar os atletas. As matérias são adquiridas com base na segurança estimulando um desenvolvimento progressivo que não põe em risco a condição física dos atletas, que só passam para a competição se quiserem e se tiverem aptidão para tal”, garante o Mestre. 

 
A união e entreajuda marcam a equipa liderada pelo Mestre Julião Santos
 
 

Prova de que os Desportos de Combate trazem benefícios claros para os seus praticantes é exatamente a abertura da modalidade às mais variadas faixas etárias. No Oriental existem atletas desde os 8 anos até (quase) aos 80 que exploram de forma saudável vertentes variadas como a “coordenação motora, a resistência e a força, estimulando também o equilíbrio e autodomínio psicológico” favoráveis, segundo Julião Santos, ao quotidiano de qualquer cidadão.

Como diz o Mestre com base em toda a sua experiência, em situações de conflito “a melhor defesa é não agir” mas de qualquer forma nada se perde em ser conhecedor das técnicas de defesa pessoal. E por que não experimentar?

“A grande maioria dos atletas que temos atualmente não conheciam a modalidade, vieram experimentar a acabaram por ficar. Por norma, cerca de 90% das pessoas que vêm experimentar ficam connosco, muito pelo ambiente que se vive nas aulas e que é fundamental. Os atletas sentem-se parte do grupo e sabem que a cada treino aprendem mais qualquer coisa”, assegura.

Uma aprendizagem progressiva e estimulante baseada no trabalho sério de orientação que, conjugados, perspetivam um “futuro próspero para a Secção de Desportos de Combate do Oriental”. Da parte de Julião Santos fica a garantia de continuar “a dar o máximo em benefício dos atletas” através de um apoio rigoroso, próximo e personalizado. “Eles sabem bem que podem contar comigo”, assegura o Mestre. E o Oriental agradece.