Acabou hoje a época desportiva 2015/2016 no que ao Futebol sénior diz respeito. Por sentido de responsabilidade tenho-me mantido calado a fim de que a época pudesse ter um final tão estável quanto possível. A obrigação de um dirigente responsável é servir a causa que abraçou de forma digna e falar a destempo pode ser sempre causador de maiores males do que beneficiar a Instituição que servimos, que ainda por cima é a do Clube do nosso coração, o Oriental.

Certamente que todos os Orientalistas estarão tristes por, no que diz respeito ao futebol, o Clube não ter atingido os objectivos que todos desejávamos. Se o comum sócio ou adepto está triste por tal desfecho, imaginem o sentimento dos dirigentes que para além de sócios e adeptos, que também são, ainda têm sobre si a responsabilidade e o trabalho, muito trabalho e muita responsabilidade aliás, que este cargo para que fomos eleitos nos impõe. Foi de facto uma época de grande desgaste e claro de grande frustração. Fazer balanços muito a quente corre-se sempre o risco da precipitação e da superficialidade na análise, que se deseja séria e enriquecedora do ponto de vista do conhecimento e educadora quanto ao futuro.

Claro que houve erros em vários domínios, alguns dos quais eu não enjeito como meus e por certo os meus companheiros também não. Só não erra quem nada faz, quem se limita a fazer análises depois dos jogos no pressuposto de ser o dono da verdade absoluta. Mas as verdadeiras causas, as causas mais profundas, essas sim devem ser alvo de grande reflexão. Quando em Maio de 2014 alcançámos o maior êxito desportivo dos últimos 40 anos da história do Clube, afirmei publicamente que o nosso Clube não estava devidamente preparado para enfrentar o desafio da permanência no segundo escalão do Futebol Profissional, de forma minimamente segura. Só o nosso esforço, a nossa tenacidade e o apoio incondicional dos adeptos permitiu ter alcançado a subida de divisão e a prestação da equipa na época anterior, não hipotecando o futuro do Clube.

Podíamos hoje estar radiantes com a permanência da equipa na 2.ª Liga se nós mascarássemos a nossa realidade com uma gestão desastrosa e certamente muito danosa para o nosso futuro, se seguíssemos exemplos de outros Clubes que conhecemos e que por respeito aqui não menciono. Mas o Oriental não é só nosso, é também das gerações vindouras que exigem que lhes leguemos um Clube mais forte e mais feliz. Tenho sinceramente que considerar este “desaire” desportivo como um passo atrás, enriquecedor para se poder dar dois ou três à frente, mas sempre de forma sustentada. O nosso “barco” apesar da grande tempestade que teve de enfrentar, continua navegável e navega agora em águas calmas. Tenho para mim a certeza de que é possível e exigível que se continue a fortalecer o Clube pela base e que a breve prazo voltaremos ao patamar de onde agora “provisoriamente” saímos e quando voltarmos voltaremos mais fortes, portanto com mais condições para ficarmos por muitos e bons anos. Para isso teremos de continuar a política do crescimento sustentado e a aposta na criação de melhores infraestruturas físicas e profissionais. Sou daqueles que acredita que o nosso sonho continua bem vivo e mantenho a ideia de que “com os pés bem assentes na Terra um dia chegaremos mesmo ao Céu”

O Presidente do Clube Oriental de Lisboa, 
José Fernando Nabais