Estávamos a 13 de Outubro de 1946 quando o recém-fundado Clube Oriental de Lisboa realizava o seu primeiro jogo oficial no Campo Eng.º Carlos Salema. O adversário era a CUF e a vitória sorriu à formação de Marvila por 4-2 (com hat-trick de França e um golo de Vicente) naquele que foi também o primeiro triunfo de sempre da História do C.O.L. em jogos oficiais. O duelo inserido no Campeonato da 1.ª Divisão da AF Lisboa foi o primeiro de dois realizados nessa temporada (na segunda volta a CUF levou a melhor por 2-1) e desde então e até à extinção da CUF em 1978 que os dois emblemas se encontraram por outras 13 ocasiões em partidas referentes à 1.ª Divisão Nacional (8), 2.ª Divisão Nacional (4) e Taça de Portugal (1).

Os tempos eram bem diferentes dos atuais e em Dezembro de 1977 a empresa CUF, que dava nome à equipa Grupo Desportivo da CUF, fundiu-se com as outras duas companhias químicas portuguesas, dando origem à Quimigal EP, que por sua vez substituiu em termos desportivos a CUF pela nova denominação de Grupo Desportivo Quimigal. O GD Quimigal teve a sua primeira época em 1978/1979 e os duelos com o Oriental mantiveram-se ao longo das duas décadas seguintes com os 7 jogos realizados a repartirem-se entre a 2.ª Divisão Nacional (4) e a Taça de Portugal (3). No ano 2000 o GD Quimigal converteu-se finalmente no atual Grupo Desportivo Fabril do Barreiro e, curiosamente ou não, no novo milénio o primeiro encontro com o Oriental só surgiu na presente temporada de 2016/2017 na atual Fase de Manutenção do Campeonato de Portugal Prio que teve como vencedor o Oriental por 2-0 com golos de Daniel Almeida e Sebastião. 
 
Capa do 'Mundo Desportivo' no diaseguinte ao jogo Oriental 4x2 CUF
 
 

Fazendo as contas, Oriental e Fabril (outrora CUF ou Quimigal) encontraram-se por 23 ocasiões com 13 vitórias para a formação do Barreiro, 7 triunfos para o conjunto grená e branco e ainda 3 empates. O jogo agendado para este domingo, 23 de Abril, no Campo Eng.º Carlos Salema a partir das 16h00 pouco terá a ver com o saldo histórico dos confrontos entre as duas equipas. O atual Fabril não possui os índices competitivos da poderosa CUF de outros tempos e nesta Série G da Fase de Manutenção do CPP está a lutar no limite para não descer de divisão para os distritais. A formação comandada por Manuel Correia, técnico de 55 anos que cumpre a sua 5.ª temporada ao serviço do conjunto verde e branco, encontra-se na 7.ª e penúltima posição da tabela classificativa com apenas 11 pontos e a 6 do lugar que dá acesso ao play-off de manutenção. Em caso de derrota perante o Oriental e vitória do Armacenenses sobre o Sp. Viana, o Fabril poderá ver praticamente fechada em termos matemáticos a sua descida de divisão.

Para contrariar este possível desfecho, o Fabril deposita muitas das suas esperanças em Ayo Adeniran, avançado norte-americano de 24 anos melhor marcador da equipa com sete golos, três dos quais apontados nos últimos quatro jogos, tentos que ainda assim de pouco têm servido à equipa já que nos 10 jogos disputados nesta 2.ª Fase do CPP apenas conquistou uma vitória e quatro empates perante as cinco derrotas já amealhadas. Do lado oposto estará um Oriental em contraciclo depois de uma derrota amarga em Armação de Pêra que quebrou o registo positivo de 8 jogos sem perder. Em boa verdade será sensato considerar que este foi um jogo atípico para a formação de Marvila que, já muito fustigada pelas lesões ao nível do meio-campo, se viu privada também da utilização de Faísca a partir da meia hora de jogo, fator que condicionou em larga medida a estratégia de António Pereira para este encontro.

O regresso ao Campo Eng.º Carlos Salema neste domingo, perante o calor da família orientalista, poderá ser o ímpeto decisivo para o Oriental alcançar a 6.ª vitória nesta derradeira etapa do CPP e ficar ainda mais perto de fechar em definitivo a manutenção matemática neste escalão. Sebastião (7), Victor Veloso (6) e Faísca (6) continuam a ser os melhores marcadores do conjunto grená e branco e, no caso de serem opções de António Pereira para o onze, serão certamente autênticas setas apontadas à baliza normalmente defendida por Leo Leichsenring e que outrora, no jogo inaugural do Campo Eng.º Carlos Salema a 13 de Outubro de 1946, esteve à guarda de Eduardo Santos. Nesse longínquo dia o hat-trick do goleador França sentenciou o desfecho da partida. Neste domingo esperamos que a vitória volte a sorrir ao Oriental.