Foi com um sabor amargo na boca que o Oriental regressou a Lisboa depois da derrota nos Açores frente ao Sp. Ideal (2-1). O conjunto grená e branco revelou-se perdulário no capítulo da finalização e deixou fugir a hipótese de saltar para o segundo lugar da tabela classificativa, posição que ainda assim está à curta distância de quatro pontos. Para almejar lá chegar o conjunto grená e branco tem que continuar a trilhar o seu caminho neste campeonato com o brio a que nos habituou e, preferencialmente, com um regresso às vitórias já neste domingo na receção ao Lusitano VRSA.

O encontro da 20.ª jornada apresenta um adversário já bem conhecido do Oriental mas ao mesmo tempo transfigurado em relação aos dois jogos já realizados esta temporada. Desde o encontro em Marvila para a Taça de Portugal (1-2) e no Algarve para o campeonato (2-3) muitos aspetos mudaram na formação de Vila Real de Santo António com especial destaque para a entrada de João Manuel Pinto para treinador, homem que enquanto rapaz foi formado no Oriental e chegou a representar a formação principal do C.O.L. antes de voar para uma brilhante carreira de futebolista, e de vários reforços de inverno que vieram dar superior qualidade, experiência e capacidade de choque ao Lusitano.

O conjunto algarvio vem de duas derrotas consecutivas frente a Olhanense e Sp. Ideal, ocupa o penúltimo lugar da classificação a quatro pontos da linha de água com a pior defesa e o segundo pior ataque da série, mas a irregularidade que o caracteriza deixa antever que este possa ser um jogo perigoso para o Oriental. Apesar das 12 derrotas no campeonato, este Lusitano VRSA já conquistou as proezas de eliminar em Lisboa o Oriental da Taça de Portugal e, mais recentemente, de bater o Pinhalnovense em casa por 3-0, memórias que dão esperança à equipa do sul de alcançar um resultado positivo no Campo Eng.º Carlos Salema.

A turma de João Manuel Pinto colocou todas as fichas no mercado de inverno e foi buscar alguns reforços com capacidade para fazer a diferença nesta última fase da prova. O esquema declarado de 4x2x3x1 ganha agora forma com Pedro Pereira na baliza, guarda-redes que chegou em Janeiro do Moncarapachense, Luís Firmino como titular indiscutível na esquerda defensiva, uma dupla de centrais normalmente composta por Ronan e o polivalente João Victor e à direita por Henrique Apolónia, jovem que saltou direto para o onze graças à saída do de Lucas Leite para o Merelinense. O meio campo tem como base de sustentação um sistema de duplo pivot defensivo composto por Nuno Silva, português de 28 anos mais talhado para destruir jogo, em parceria com o recém-chegado Wanderson, brasileiro que pelas suas passagens por clubes como SC Braga e Dinamo Bucareste oferece experiência, talento e maior habilidade técnica à equipa.

No setor mais ofensivo da equipa o extremo brasileiro Hudson progride pela esquerda e o iraniano Shervin Razminia, outro reforço de inverno, avança pela direita, sendo que no centro o mais provável é aparecer Ruizinho, também chegado em Janeiro, nas costas do ponta-de-lança José Pedro, jovem talento de 19 anos que já leva nove golos esta temporada, quatro dos quais marcados ao… Oriental. Neste ponto surge uma dúvida chamada Adelaja, experiente avançado nigeriano de enorme envergadura física (1,97m!) que pode surgir no eixo do ataque algarvio, fazendo recuar ligeiramente José Pedro para a posição de 10. Nota ainda para Valter Fernandes, extremo de 19 anos que é a verdadeira arma secreta desta equipa com 18 jogos realizados, 14 dos quais na condição de suplente utilizado, e dois golos marcados.

É contra esta equipa multifacetada muito pela diversidade cultural presente nas suas raízes com jogadores de oito nacionalidades distintas (Portugal, Brasil, Inglaterra, Colômbia, Irão, Nigéria, Itália e França) que o Oriental vai medir forças com algumas limitações adicionais. Os habituais titulares Vítor Sanches e Ivan Dias são baixas confirmadas por castigo que vão obrigar António Pereira a mexer no setor mais recuado da equipa. Pese embora as ausências, é de prever que as dinâmicas positivas do conjunto grená e branco se mantenham e com solidez defensiva, uma superior eficácia na finalização e índices físicos elevados os três pontos possam ficar em Marvila, até porque o Lusitano VRSA joga esta quarta-feira uma partida relativa à Taça AF Algarve que pode trazer algum desgaste adicional aos pupilos de João Manuel Pinto.

Numa altura em que faltam apenas onze jogos para o término do campeonato todos os pontos são importantes na luta por um sonho que, apesar de no início da época parecer não passar de uma miragem, se apresenta nesta altura como alcançável para uma equipa de Guerreiros que não se cansa de acreditar. Com a manutenção praticamente garantida, todos os jogos daqui para a frente servem para enaltecer o orgulho orientalista das gentes que torcem, vibram e gritam pelo C.O.L. a cada domingo, a cada golo, a cada vitória. A promessa é continuar a lutar com a determinação e crença de sempre pelas nossas cores e no final… estaremos cá para fazer as contas. #VamosCOL

 Crónica: Diogo Taborda