São dois mundos opostos em confrontação este domingo no Estádio José Arcanjo. Do lado caseiro da barricada está o Olhanense, equipa que investiu forte para subir de divisão e que se reforçou no mercado de inverno com nomes de peso com esse objetivo em vista. A entrada do novo treinador Nilton Terroso mudou o chip da formação algarvia que nos últimos 10 jogos ganhou por oito ocasiões, embalada por jogadores habituados a palcos superiores e alguns deles emprestados por emblemas de prestígio como Sporting, Inter de Milão e Vitória de Setúbal. Na ala visitante surge o Oriental, clube que fez uma primeira volta de excelência se tivermos em conta o objetivo pré-definido da manutenção mas que surge nesta altura algo fragilizado pelas saídas de cinco atletas do plantel principal sem a chegada de qualquer reforço. Com a permanência no Campeonato de Portugal garantida a meio da temporada, o trabalho desenvolvido pelos pupilos de António Pereira já tem nota positiva assegurada, mas nem todas estas certezas nem o facto de estar há dois jogos sem vencer tiram aos Guerreiros de Marvila a ambição de trazer os três pontos da fortaleza do… segundo classificado.

O encontro desta 21.ª jornada tem vários pontos de convergência com o primeiro duelo entre a duas equipas disputado em Marvila na primeira volta. Nessa altura, o Olhanense deslocou-se a Lisboa invicto e com cinco vitórias consecutivas na bagagem, excelente fase que se repete agora com os quatro triunfos seguidos (todos eles sem sofrer golos) e o posicionamento nos lugares que dão acesso ao play-off de subida. No primeiro round o Oriental teve o mérito de quebrar o ciclo algarvio ao vencer por 2-1 com golos de Diogo David e Bura, porém de lá para cá diversas foram as mudanças no onze base do Olhanense. O setor defensivo foi ainda assim o que sofreu menos alterações com o guarda-redes Cléber, o defesa-esquerdo André Dias e os experientes centrais Materazzi e Ivo Nicolau a manterem a titularidade. Na ala direita mais recuada Pedro Caeiro tem sido merecedor da confiança do técnico Nilton Terroso, mas o castigo por acumulação de amarelos obriga-o a dar lugar à alternativa Pedro Albino.

O esquema de 4x2x3x1 é ainda composto por Pedro Dias e Tiago Barros como médios mais defensivos e por uma frente de ataque renovada, veloz e muito dotada tecnicamente que promete dar muitas dores de cabeça à sólida defensiva orientalista. Pela esquerda progride Jefferson Encada, jovem extremo emprestado pelo Sporting, e pela esquerda acelera Zé Turbo, reforço de inverno emprestado pelo Inter de Milão que prima pela habilidade com a bola nos pés. Com a camisola 8 mas na posição de 10 aparece Leleco, médio criativo com provas dadas nesta divisão e que apontou um golo na 6.ª jornada no Campo Eng.º Carlos Salema, no apoio ao ponta-de-lança português Rúben Fidalgo, melhor marcador da equipa, a par de Leleco, com cinco golos.

No banco de suplentes Nilton Terroso tem ainda como principais armas Hassan, extremo emprestado pelo Vitória de Setúbal, Rodrigo Parreira, também extremo que já leva quatro golos na conta pessoal, Okitokandjo, avançado holandês que chegou em Janeiro cedido pelo Leixões, e ainda Ítalo, jogador possante normalmente utilizado como pivot defensivo em momentos de contenção quando a equipa já se encontra em vantagem. Uma equipa que encontrou suplementar segurança defensiva com a entrada do novo treinador e que possui no talento dos homens mais avançados e na matreirice em momentos de bolas paradas os seus maiores trunfos para chegar ao golo.

Já o Oriental vem de dois resultados inglórios com a derrota nos Açores frente ao Sporting Ideal (2-1) e o empate caseiro com o Lusitano VRSA (0-0) que colocaram o emblema de Marvila no 5.º lugar da tabela classificativa a seis pontos do 2.º classificado Olhanense. O plantel de 21 jogadores, em que apenas 18 são jogadores de campo, fica ainda mais curto face às ausências por castigo de Laurindo, que viu o quinto cartão amarelo na última jornada, e Vítor Sanches, que cumpre o seu segundo jogo de suspensão na sequência do vermelho direto com que foi admoestado nos Açores. O ponto positivo poderá ser o regresso do capitão Marco Bicho que após longa paragem por lesão parece agora voltar às opções de António Pereira e assumir o papel de reforço de inverno.

É caso para dizer que mesmo tendo em conta todos os fatores adjacentes este tenderá a ser um duelo equilibrado em que os minutos iniciais e finais poderão ser decisivos. Este Olhanense tende a entrar forte nos jogos e já leva sete golos apontados nos primeiros 15 minutos dos encontros, na mesma medida em que os quartos de hora finais dos encontros são os mais frágeis para a equipa algarvia já com quatro golos encaixados entre os 76 e os 90 minutos. A chave do sucesso para o Oriental poderá estar, portanto, em entrar sólido defensivamente e ter a astúcia necessária para nos derradeiros instantes da partida… dar a machadada final no adversário e trazer os três pontos para Marvila.

 Diogo Taborda