O último fim-de-semana de Fevereiro brinda o Oriental com mais uma deslocação longa desta feita ao reduto do Castrense. O emblema de Castro Verde está atualmente um lugar acima da linha de água e mantém-se vivo na luta pela manutenção, prometendo tudo fazer para amealhar preciosos pontos numa batalha dura travada com pelo menos outras oito equipas desta Série E do Campeonato de Portugal com os mesmos objetivos. A formação orientada pelo técnico luso-angolano Calú atravessa uma fase positiva pelos quatro jogos consecutivos sem perder e recebe o Oriental com o handicap de na primeira volta ter derrotado os Guerreiros de Marvila… em Marvila. Já o conjunto grená e branco vai subir ao relvado num momento menos positivo pelas três partidas seguidas sem triunfar, mas a grande exibição da jornada passada em Olhão e a vontade de vingar a derrota da 7.ª jornada dão um estímulo extra aos pupilos de António Pereira.

As diferenças entre o Castrense atual e aquele que se deslocou a Lisboa em Outubro passado são algumas mas ainda assim pouco expressivas face ao número de alterações efetuadas ao plantel no mercado de inverno. Nas cinco saídas registadas destaque para o central habitual titular Vítor Rolim, o extremo Ivan Francisco e sobretudo o ponta-de-lança e melhor marcador com sete golos Yaggo Gomes, que rumou à formação do Almancilense. De forma a colmatar a saída do artilheiro da equipa, o Castrense reforçou-se com três brasileiros para o ataque à manutenção: Luã Portugal e Fábio Martins, ambos ex-Almancilense, e Wellington Jr, ponta-de-lança oriundo do Nogueirense que ocupou o lugar no onze deixado vago por Yaggo Gomes e que até já se estreou a marcar com a camisola do Castrense.

Mesmo com significativas mexidas no plantel, Calú tem mantido a confiança no seu onze-base que até ao momento lhe tem trazido, embora à tangente, bons resultados. O clássico 4x3x3 que em alguns momentos transforma num 4x2x3x1 com contornos mais defensivos começa a ganhar forma com Miguel Cruz na baliza, guardião que recuperou a titularidade no empate fora de portas com o Lusitano (1-1) da última jornada face à aparente lesão de Eduardo Barão, e pelo quarteto defensivo composto da direita para a esquerda por Miguel Silva, Vumi, Camará e Nilson. No miolo do terreno o brasileiro Anderson é habitualmente o médio mais defensivo, com o sul-africano Michael Habib, um dos elementos mais talentosos da equipa, a alinhar na posição de médio centro e sempre que necessário a intensificar a cobertura defensiva. Na posição de médio mais ofensivo surge André Tonon, nas costas do trio de ataque composto por Hélio à direita, Wellington Jr. a ponta-de-lança e Jorginho à esquerda, este último cujas características primam pela velocidade, mobilidade e técnica que consegue imprimir, muitas vezes em simultâneo, ao jogo. Para além disso, Jorginho é o homem das bolas paradas e… perigoso na conversão de livres diretos.

Por falar em bolas paradas, em termos defensivos este parece ser um dos pontos mais frágeis do Castrense, comprovado pelos vários golos já encaixados na sequência de cantos ou livres laterais. Poderá, inclusive, ser o calcanhar de Aquiles de uma formação que gosta de jogar com a bola no pé e que tem qualidade para tal, uma equipa com princípios de jogo bem enraizados e capaz de ter o cinismo necessário para matar a partida sem precisar de muitas oportunidades, à semelhança daquilo que aconteceu em Marvila na primeira volta.

Em Castro Verde o Oriental vai encontrar um relvado natural longe das melhores condições, irregular e até com algumas peladas nas zonas habitualmente mais povoadas, fator que também importante para o desenrolar de um jogo que se adivinha difícil para os Guerreiros de Marvila. António Pereira já pode contar com Laurindo e Vítor Sanches, que regressam de castigo, mas terá que deixar Gonçalo Tavares em Lisboa em virtude da suspensão por acumulação de amarelos. No que concerne ao jogo jogado, pede-se aos Guerreiros de Marvila que mantenham o rigor tático exibido na última partida com o Olhanense e que, muito embora esta partida tenha características diferentes, exibam a habitual solidez defensiva como base fundamental para o controlo do jogo e consequente fluidez do processo de ataque. Vencer é sempre o objetivo e os Guerreiros de Marvila já demonstraram que conseguem defrontar olhos nos olhos qualquer formação deste Campeonato com a bravura de quem quer conquistar sempre os três pontos. E esta 22.ª jornada não será exceção. Vamos com tudo, C.O.L.!

 Diogo Taborda