A 17.ª jornada do Campeonato de Portugal apresenta ao Oriental uma difícil deslocação ao reduto do segundo classificado, super motivado e bem reforçado Casa Pia. Os gansos vêm de três vitórias consecutivas, a última delas com uma goleada fora de portas sobre o Lusitano VRSA por 0-4, e estão a apostar todas as fichas na tão ambicionada subida de divisão: são até agora quatro os reforços (de peso!) neste mercado de inverno para o ataque à derradeira e decisiva etapa do campeonato e numa série com uma luta tão acesa pelo segundo lugar o jogo de domingo desempenha um papel relevante nas ambições do emblema de Pina Manique. Do outro lado estará um Oriental balanceado pela grande vitória da jornada passada e consequente subida ao terceiro lugar, uma equipa convicta no seu trabalho, consciente das suas limitações e, sobretudo, dotada de uma garra insuperável e uma vontade ainda maior de vencer. O dérbi de Lisboa promete ser quente até porque a possível caça ao ganso poderá valer a passagem do Oriental para a vice-liderança, mas vamos então por partes.

A 27 de Agosto de 2017 a segunda jornada do Campeonato trouxe o Casa Pia a Marvila para defrontar o Oriental num jogo que terminou com um empate a dois golos. Passados quase cinco meses, muita coisa mudou na formação de Pina Manique que embalou para o campeonato muito positivo que está a realizar até ao momento. Pesando todos os fatores, outro desenrolar de acontecimentos não seria de esperar se tivermos em conta o forte investimento na construção de um plantel dotado de condições para ambicionar a ascensão a outros patamares competitivos e foi exatamente com base na qualidade dos seus jogadores que Tiago Zorro conseguiu solidificar um onze tipo que se tem mantido mais ou menos estável até ao momento.

Como é bem sabido pelos orientalistas, esta equipa do Casa Pia ganhou força pela contratação de cinco atletas que já vestiram de grená e branco e que atualmente têm lugar cativo no onze titular. Num esquema que oscila entre o 4x3x3 e o 4x2x3x1, Rafa Marques é totalista na baliza e João Oliveira indiscutível na lateral direita. A dupla de centrais é composto por Bruno Lourenço e Abel Pereira, atleta ex-Oriental que se lesionou na jornada passada e que por esse motivo não deve ser opção para domingo. Face a esta ausência, à semelhança de outras ocasiões o técnico Tiago Zorro deve transferir o habitual defesa-esquerdo Zinho para a zona central e colocar Rodrigo Santos no lugar que fica então vago. No meio campo João Coito, homem com veneno nas botas no que toca às bolas paradas, e Faísca, também ex-Oriental, têm lugar garantido nas posições de oito e dez, respetivamente, e o lugar de trinco é normalmente ocupado por Diogo Santos com os experientes Pedro Ganhão e Vasco Varão a espreitarem uma oportunidade no vértice mais recuado no meio campo. No que concerne ao tridente ofensivo o nosso bem conhecido Tom progride pela direita dando uma consistência suplementar à equipa nas tarefas defensivas, enquanto André Lopes, com características de extremo mais puro, acelera pela esquerda no apoio ao ponta-de-lança que, até pelo golo apontado no último encontro, deverá ser Sérgio Nogueira.

Se o onze titular é forte, o banco do Casa Pia apresenta também alternativas viáveis especialmente do meio campo para a frente. Para além das opções já apresentadas para o miolo do terreno, estarão no banco pelo menos dois extremos rápidos e tecnicistas de nomes Telmo Gonçalves e Fati Candé, este último de 19 anos e emprestado pelo Benfica, para além de Patrick Igwe, nigeriano (ex-Praiense) que alinha na mesma posição e que foi apresentado esta semana como reforço para a última etapa da temporada. No lote de contratações do mercado de inverno estão também Érico, ponta-de-lança que se notabilizou na subida de divisão do Real e que este ano fez quatro golos até dezembro ao serviço do Sintrense, Gonçalo Gregório, avançado português ex-Vilafranquense, e Rúben Gouveia, médio criativo também ex-Vilafranquense cuja qualidade se torna inquestionável se olharmos para as sete internacionalizações pela Seleção de Angola.

Para além de toda a qualidade individual, o valor coletivo desta equipa do Casa Pia reside em grande parte na facilidade em chegar com velocidade ao último terço do terreno tanto com bola, através de uma dinâmica ágil e bem carburada capaz de encaminhar com perigo o esférico na direção da baliza adversária, como também sem bola com pressão alta, forçando muitas vezes o adversário ao erro em situações que muitas vezes acabam em golo. Pelos pés de João Coito e Faísca as bolas paradas são também um ponto forte a ter em conta, numa equipa que marcou a maior percentagem de golos no último quarto de hora dos jogos (7) e sofreu o maior número nos primeiros quinze minutos das partidas (4). Para o Oriental, entrar forte a atacar e terminar sólido a defender poderá ser meio caminho para a vitória...

Atendendo às circunstâncias do encontro, a restante metade do percurso rumo ao ambicionado triunfo do C.O.L. poderá passar pela habitual solidez defensiva da turma de Marvila (apenas dois golos sofridos nos últimos oito jogos) e pela destreza e serenidade para matar o jogo no momento certo. Certo é que após algumas saídas o plantel do Oriental conta agora com um total de 22 jogadores, de entre os quais três são guarda-redes, e o eventual aparecimento de lesões nesta derradeira etapa do campeonato poderá ser um fator decisivo para um conjunto de verdadeiros Guerreiros de Marvila que só com uma capacidade de superação cada vez maior de jogo para jogo poderá ambicionar chegar ainda mais longe. O objetivo inicial da manutenção está praticamente garantido e tudo o que vier a mais surge como bónus para todos os que representam diariamente as nossas cores, num compromisso de procurar sempre a vitória que está enraizado na nossa História. O duelo deste domingo agendado para as 15h00 no Estádio Pina Manique é só mais um capítulo no caminho de engrandecimento do nosso emblema e a força proveniente das bancadas fará a diferença. No final, estaremos cá para fazer as contas. Vamos com tudo, C.O.L.!



 Antevisão: Diogo Taborda