A primeira volta do Campeonato está concluída e o balanço é bastante positivo para o Oriental. Para espanto de muitos e alegria de outros tantos, o treinador António Pereira conseguiu implementar e solidificar processos em tempo útil numa equipa totalmente renovada com muita juventude e os resultados foram aparecendo com naturalidade: quinto lugar da classificação, nove vitórias e apenas duas derrotas em 15 jogos realizados. Os 31 pontos conquistados nesta primeira metade da época dão segurança para pensar em algo mais que o objetivo inicial (e já muito bem encaminhado) da manutenção, mas o caminho será sempre feito passo a passo com a plena consciência das limitações próprias e a ambição de vencer cada jogo como se de uma final se tratasse. É exatamente com este espírito que os Guerreiros de Marvila vão receber o segundo classificado Pinhalnovense no Campo Eng.º Carlos Salema na abertura da segunda volta desta Série E do Campeonato de Portugal. Vamos então aos números.

O Oriental apresenta-se neste jogo com 19 golos marcados e 11 sofridos no campeonato, representativos do quinto melhor ataque e terceira melhor defesa da série, já que apenas Casa Pia e Farense encaixaram menos golos até ao momento. Seis dos 11 golos sofridos decorreram no primeiro e no último quartos de hora dos jogos, sendo que os primeiros e os derradeiros 15 minutos das segundas partes dos encontros são os mais mortíferos para a turma de Marvila (11 dos 19 golos apontados surgiram nestes períodos). O central Sandro Luiz e o extremo Victor Veloso são totalistas absolutos desta equipa e Bura surge como melhor marcador da formação de Marvila no Campeonato com seis golos apontados, quatro deles golos da vitória (um recorde nesta série). A juntar a estes dados, já positivos por si mesmos, surge o triunfo conquistado ao cair do pano na última jornada sobre o Moncarapachense que se pode traduzir numa injeção suplementar de confiança para a turma de Marvila.

Por falar em confiança... poderá ter sido este o fator, por existir provavelmente em excesso, que atraiçoou o Pinhalnovense na última ronda da primeira volta do Campeonato. O conjunto orientado por Ricardo Cravo vinha de sete (!) vitórias consecutivas, duas delas frente aos concorrentes diretos Casa Pia e Olhanense, e deslocou-se ao reduto do então lanterna vermelha Lusitano VRSA para ser derrotado pelos pesados números de 3-0. A equipa de Pinhal Novo não conseguiu fazer jus à veia goleadora que a coloca na posição de melhor ataque a par do líder Farense com 32 golos marcados e nem o melhor marcador da Série E, Diego Zaporo, foi suficiente para inverter a penosa derrota em terras algarvias.

O facto de ter um plantel curto condiciona a estratégia do técnico Ricardo Cravo que opta quase sempre pelos mesmos jogadores. O esquema assumido de 4x2x3x1 é personificado praticamente sem exceção por onze atletas tarimbados nestas andanças do Campeonato de Portugal e que pela sua experiência oferecem garantias em termos combativos e de disciplina tática. Na baliza mora o brasileiro Maringá, nas costas de um quarteto defensivo composto por Miguel Pinéu à direita, pelos veteranos centrais Alain Pilar e Miguel Ângelo, este último quase sempre titular na época passada pelo Cova da Piedade na II Liga, e por Carlos Bebé à esquerda. O setor intermédio, em versão de duplo pivot defensivo, é composto por Tiago Feiteira e Rogério Mesquita, dois jovens que não têm receio de jogar com a bola no chão, e mais à frente Bruno Grou progride pela direita e Sócrates Pedro, velho conhecido do Oriental, costuma fazer estragos pela esquerda. No eixo do ataque o tecnicista José Lúcio joga no apoio ao ponta-de-lança Diego Zaporo, artilheiro da Série E com 11 golos em 12 jogos.

A expressividade da derrota frente ao Lusitano VRSA pode precipitar algumas mudanças no onze modelo do Pinhalnovense, que não devem ainda assim ascender a um número significativo de alterações. Ely Fernandes, extremo muito veloz que até apontou o golo do Pinhalnovense no empate com o Oriental (1-1) da 1.ª jornada, estará à espreita de um lugar como titular e os nove golos apontados esta temporada dão-lhe uma força extra. Também Fábio Arcanjo, centrocampista com largos minutos de utilização nesta temporada, poderá dar o salto para a titularidade, talvez para o lugar de Rogério Mesquita.

Independentemente de quem jogar e à luz da tabela classificativa e também do primeiro embate entre as duas formações na ronda inaugural do campeonato, este será um jogo de tripla muito pautado pelo equilíbrio entre duas equipas com muita qualidade. O Oriental terá que se fazer valer de toda a sua segurança defensiva (apenas dois golos sofridos nos últimos sete jogos!) para travar o poderio ofensivo de um Pinhalnovense habituado a fazer balançar as redes adversárias. Depois, partindo dessa base fundamental, arrancar a fundo para a vitória neste início da segunda volta do campeonato. O encontro está marcado para domingo, 14 de Janeiro, às 15h00 no Campo Eng.º Carlos Salema. Vamos com tudo, COL!