É com a moral em alta que o Oriental se desloca este domingo a Almancil para defrontar a formação local na 26.ª jornada do Campeonato de Portugal. O conjunto grená e branco cumpriu com uma exibição esclarecedora o objetivo de bater o Olímpico do Montijo na ronda passada em Marvila (1-0) e alcançou com mérito o terceiro lugar da tabela classificativa ultrapassando o Casa Pia e aproximando-se, em simultâneo, do segundo posto ocupado pelo Olhanense que dista agora apenas três pontos. Em terras algarvias o C.O.L. vai encontrar um Almancilense a atravessar uma fase pouco positiva pelas três derrotas e dois empates nos últimos cinco jogos, mas com a ambição legítima de ainda garantir a manutenção já que a proximidade da linha de água (dois pontos) dá larga margem para sonhar a uma equipa que tem na frente de ataque as suas maiores armas.

Com o ataque mais concretizador de todas as sete equipas a lutar mais diretamente pela permanência na Série E do Campeonato de Portugal, este Almancilense deve muito das suas atuais características às drásticas mudanças efetuadas no plantel e equipa técnica no mercado de inverno. A entrada de Eduardo Hungaro para o comando técnico, treinador brasileiro que já passou por Portugal ao serviço do Sertanense e que se tornou famoso por orientar em 2014 o Botafogo, trouxe consigo uma profunda revolução na equipa com a entrada de sete jogadores, quase todos seus conterrâneos, e a saída de outros tantos. Para termos uma ideia, se olharmos para o encontro da primeira volta em Marvila com o Oriental que terminou com a vitória do conjunto grená e branco por 1-0, cinco dos 13 atletas utilizados na altura pelo técnico Filipe Martins já não fazem parte do atual plantel do Almancilense.

Com tantas mudanças resta saber... se o emblema algarvio mudou para melhor ou para pior. Eduardo Hungaro realizou até ao momento 11 jogos ao leme dos destinos do Almancilense com sete derrotas, dois empates e duas vitórias, amealhando oito dos 23 pontos conquistados até à data pelo conjunto do sul. A maioria dos jogadores contratados aquando da chegada do técnico brasileiro, alguns deles já seus conhecidos doutras paragens, saltaram diretamente para o habitual 11 titular com claro destaque para a referência ofensiva da equipa, um avançado brasileiro de 36 anos conhecido por Viola que já leva cinco golos em seis jogos realizados. Verdadeiro rato de área, Viola só precisa de uma oportunidade para faturar e ao mínimo deslize da defesa adversária... a bola já lá mora.

O veterano matador canarinho é o vértice mais adiantado de uma equipa que joga habitualmente num esquema de 4x3x3 assente numa defesa renovada com Luciano na baliza, Celso Raposo da esquerda, Bruno Simões e Matheus Menezes no centro e Tiago Sousa na direita, sendo que de todos estes elementos apenas Tiago Sousa começou a temporada com o emblema do Almancilense ao peito. O lugar de trinco é normalmente ocupado pelo experiente guineense Atabu, auxiliado de perto por outros dois reforços de inverno Bruno Torres e Diogo Melo. Pelas faixas progridem Vila pela esquerda e Sapara pela faixa contrária, este último o elemento mais irrequieto e tecnicista da equipa e, simultaneamente, o melhor marcador com 10 golos, no apoio ao inevitável Viola.

Se a frente de ataque do Almancilense pode impor respeito, o setor defensivo revela algumas debilidades mais ou menos evidentes. A formação algarvia tem a terceira defesa mais batida da série com 43 golos sofridos, 10 dos quais encaixados nas últimas... cinco partidas. Em muitos momentos do jogo este Almancilense demonstra-se pouco intenso a pressionar sem bola no setor intermédio e passivo a defender em zonas mais recuadas, dando ao adversário não poucas vezes a possibilidade de pensar o seu jogo e tomar, calmamente, a melhor decisão rumo ao golo.

Este poderá ser um ponto a explorar pelo Oriental que com os regressos de Sandro Luiz e João Vicente, ausentes do último encontro por castigo, se vê dotado de mais duas importantes armas no ataque a mais uma vitória. A equipa de António Pereira atravessa uma das suas melhores fases da temporada com três triunfos nos últimos quatro jogos e a ambição de vencer mantém-se, claro está, intacta. O resultado só será conhecido por volta das 17h00 de domingo, 25 de Março, mas para já existe a certeza de que os Guerreiros de Marvila vão deixar tudo em campo pela honra de ser do Oriental para regozijo de toda a família orientalista. Vamos com tudo, C.O.L.!

 Diogo Taborda